167 - 14 Milhões
Brasil atinge recorde de 14,8 milhões de desempregados
“A palavra que melhor descreve a situação atual do mercado de trabalho é excitação. Não dos trabalhadores, que estão procurando ou gostariam de voltar a trabalhar, mas dos empregadores”, diz Hélio Zylberstajn.
De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), divulgados pelo IBGE, a taxa de desemprego no Brasil subiu 14,7% no primeiro trimestre de 2021 e atingiu o recorde de 14,8 milhões de brasileiros desocupados. A taxa demonstra que a cada 100 pessoas no mercado de trabalho, 15 não estão ocupadas ou procuram emprego. Acompanhado da alta taxa de desemprego, o PIB brasileiro também aumentou neste trimestre, segundo o IBGE: foram R$ 2 trilhões no último semestre, o que representa 1,2% a mais do valor do último trimestre de 2020.
Em entrevista ao Jornal da USP no Ar 1° Edição, o professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP e coordenador do projeto Salariômetro da Fipe, Hélio Zylberstajn, revela que a economia brasileira está voltando ao nível do período pré-pandêmico com a prévia do PIB e que a atual taxa de desempregados expõe cenário desesperador do mercado de trabalho. “A palavra que melhor descreve a situação atual do mercado de trabalho é excitação. Não dos trabalhadores, que estão procurando ou gostariam de voltar a trabalhar, mas dos empregadores, que estão numa posição de ‘esperar para ver como fica’”, relata.
Em janeiro deste ano, foram criados 261,4 mil novos postos de trabalho, enquanto em fevereiro o valor quase duplicou, sendo gerados 398,2 mil empregos com carteira assinada. Para Zylberstajn, em março houve diminuição nesse ritmo e, com o número de empregos gerados em abril, 120,9 mil, o Brasil levaria mais de um ano para recolocar todos os desocupados de volta no mercado. Ele também atribui esse desaquecimento à insegurança gerada pelo atual momento da pandemia. “Falta vacina e há desencontro de informações. O governo federal vai para um lado e o governo Estadual e as Prefeituras para o outro. Essa falta de segurança impede que as empresas tomem decisões”, afirma o professor da FEA.
Zylberstajn também ressalta que as empresas não estão “jogando a toalha”, mas reagindo ao novo cenário da economia. Durante o primeiro trimestre de 2021, a política de manutenção de empregos do governo não estava mais em vigor e “mesmo assim tivemos quase 300 mil negociações para manutenção de empregos”, revela o coordenador, baseado em dados do projeto Salariômetro. A política do governo, que permite que empregadores diminuam a jornada de trabalho ou suspendam o contrato de trabalho em acordo com os empregados, voltou a ser implementada no final de maio deste ano. “Essa permissão, que foi muito criticada pelas centrais sindicais, resultou na preservação de 9 milhões de empregos no ano passado, dos quais 3 milhões ainda estavam com estabilidade durante o período do acordo”, complementa. A medida é eficaz, pois, segundo o professor, preserva o emprego, o capital humano da empresa, e preserva a renda dos trabalhadores mais necessitados.
Ainda sobre medidas do governo, chama atenção para a interrupção e diminuição do valor transferido do auxílio emergencial. “Essa transferência ajuda famílias vulneráveis e vira imediatamente consumo, ou seja, roda a economia. A interrupção e diminuição do valor do auxílio é um erro injustificável e imperdoável”, ressalta. Ele ainda reforça a importância da vacinação e investimento em infraestrutura de ocupação para uma recuperação mais rápida do mercado de trabalho.
Jornal da USP no Ar
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RESENHA: O CIDADÃO DE PAPEL – GILBERTO DIMENSTEIN
Dividido em 10 capítulos, o primeiro se chama “As engrenagens do colapso social”. Gilberto Dimenstein explica que o livro surgiu na década de 90, quando ministrou uma palestra para adolescentes e percebeu a preocupação dos jovens com a violência nas grandes cidades. “Vi que a falta de informação e de reflexão poderia levá-los a uma postura perigosa: o uso de mais violência”, alerta o jornalista. Então, o autor se propôs a abordar alguns dos problemas da sociedade, como as crianças de rua, a violência e a pobreza. Por que Cidadão de Papel? Segundo Dimenstein, porque a cidadania está garantida nos papeis, mas não existe de verdade.
No capítulo 2, “Cidadania”, Dimenstein explica que os meninos de rua são um dos sintomas da crise social, surgidos por causa da pobreza e falta de educação dos pais, levando os filhos a entrarem nesse ciclo, incapazes de progredir. Apesar dos direitos da criança, o autor critica a situação do país e lembra que nem mesmo os bebês estão protegidos nas famílias desestruturadas, onde o índice de violência doméstica são maiores.
O capítulo 4 fala sobre a renda. Neste caso, o meu exemplar traz várias informações desatualizadas, que na época podiam ser usadas como referencial, agora nem tanto. Porém, algumas informações e conceituações facilitam a compreensão dos jovens, como PIB (Produto Interno Bruto), a distribuição desigual de renda e o PIB per capita. Muitas vezes, como bem lembra Gilberto Dimenstein, os números impressionam, mas são só números perto da realidade da pobreza de um lado e riqueza do outro, em que uns têm além do necessário e outros não têm o suficiente para sobreviver com dignidade.
A população é comentada no sexto capítulo do livro. Nesta parte, é comentada a importância do nível de instrução das mães sobre a necessidade de higiene e saneamento básico, as campanhas educativas e distribuição de anticoncepcionais e orientações sobre doenças sexualmente transmissíveis, a gravidez na adolescência e a taxa de fecundidade de acordo com as condições financeiras dos pais.
O desemprego é tema do capítulo 7, em que Dimenstein aborda a crise econômica no Brasil marcada pela estagflação (recessão e preços altos), o círculo vicioso da criança que sai da escola ou não estuda para trabalhar e continua ganhando pouco, os efeitos políticos sentidos no país e o efeito nas universidades, em que os estudantes viveram períodos de insegurança.
Diante de todos os problemas mencionados nos outros capítulos, o meio ambiente é tão importante quanto e é destaque do capítulo 10. Gilberto Dimenstein afirma a importância do saneamento básico na prevenção de doenças, a questão da reciclagem do lixo, a poluição ambiental e o tratamento da água.
A última parte do livro, o capítulo 10, traz informações e propõe reflexões sobre a educação. É comentada a necessidade de investir na educação desde o ensino fundamental para que as pessoas saibam seus direitos e obrigações e possam ter melhor qualidade de vida, a questão da produtividade, a evasão e desigualdade social no nível de ensino, o analfabetismo e a exclusão digital.
Dimenstein conclui o livro abordando a importância de
entender as engrenagens da crise social brasileira e da fragilidade da
cidadania, a importância da democracia e dando exemplo de um projeto que ajuda
a tirar as crianças da rua e oferece aulas de dança, escultura, informática e
tem livros.
Como mencionado ao longo deste texto, algumas das
informações no meu exemplar estavam desatualizadas, no entanto acredito que
devem ter saído edições mais atuais de O Cidadão de Papel. Se por um lado
algumas estatísticas estão antigas, por outro os debates e reflexões ainda são
necessários se fazerem presentes na vida dos jovens alunos do Brasil. Para quem
se interessou pelo tema do livro, acredito que alguns assuntos são mais
complexos e merecem uma leitura mais aprofundada. Para o público-alvo, as
informações estão fáceis de serem entendidas e Gilberto Dimenstein cumpriu com
o seu papel como jornalista na tradução do conteúdo, tornando-o acessível para
os adolescentes.
Cada um dos tópicos comentados no livro podem ser entendidos
melhores através das recomendações de leitura e de filmes deixadas pelo próprio
autor ao longo da obra. O Cidadão de Papel pode ser o pontapé para trabalhar o
assunto em sala de aula, no entanto por abordar vários assuntos e cada um deles
serem complexos para serem todos debatidos em um só livro, cabe aos jovens e
educadores continuaram estudando. Outros pontos interessantes disponibilizados
pelo autor são os roteiros de discussão ao final de cada capítulo, as
fotografias e as reportagens
Sobre o autor – Gilberto Dimenstein é jornalista,
idealizador do site Catraca Livre. Entre os seus livros publicados estão: A
guerra dos meninos, A democracia em pedaços, O aprendiz do futuro e As
aventuras da reportagem
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