152 - Magnum

Tuesday, February 8, 2022

167 - 14 Milhões

 


167 - 14 Milhões

Brasil atinge recorde de 14,8 milhões de desempregados

“A palavra que melhor descreve a situação atual do mercado de trabalho é excitação. Não dos trabalhadores, que estão procurando ou gostariam de voltar a trabalhar, mas dos empregadores”, diz Hélio Zylberstajn.

De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), divulgados pelo IBGE, a taxa de desemprego no Brasil subiu 14,7% no primeiro trimestre de 2021 e atingiu o recorde de 14,8 milhões de brasileiros desocupados. A taxa demonstra que a cada 100 pessoas no mercado de trabalho, 15 não estão ocupadas ou procuram emprego. Acompanhado da alta taxa de desemprego, o PIB brasileiro também aumentou neste trimestre, segundo o IBGE: foram R$ 2 trilhões no último semestre, o que representa 1,2% a mais do valor do último trimestre de 2020. 

Em entrevista ao Jornal da USP no Ar 1° Edição, o professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP e coordenador do projeto Salariômetro da Fipe, Hélio Zylberstajn, revela que a economia brasileira está voltando ao nível do período pré-pandêmico com a prévia do PIB e que a atual taxa de desempregados expõe cenário desesperador do mercado de trabalho. “A palavra que melhor descreve a situação atual do mercado de trabalho é excitação. Não dos trabalhadores, que estão procurando ou gostariam de voltar a trabalhar, mas dos empregadores, que estão numa posição de ‘esperar para ver como fica’”, relata. 

Em janeiro deste ano, foram criados 261,4 mil novos postos de trabalho, enquanto em fevereiro o valor quase duplicou, sendo gerados 398,2 mil empregos com carteira assinada. Para Zylberstajn, em março houve diminuição nesse ritmo e, com o número de empregos gerados em abril, 120,9 mil, o Brasil levaria mais de um ano para recolocar todos os desocupados de volta no mercado. Ele também atribui esse desaquecimento  à insegurança gerada pelo atual momento da pandemia. “Falta vacina e há desencontro de informações. O governo federal vai para um lado e o governo Estadual e as Prefeituras para o outro. Essa falta de segurança impede que as empresas tomem decisões”, afirma o professor da FEA.

Zylberstajn também ressalta que as empresas não estão “jogando a toalha”, mas reagindo ao novo cenário da economia. Durante o primeiro trimestre de 2021, a política de manutenção de empregos do governo não estava mais em vigor e “mesmo assim tivemos quase 300 mil negociações para manutenção de empregos”, revela o coordenador, baseado em dados do projeto Salariômetro. A política do governo, que permite que empregadores diminuam a jornada de trabalho ou suspendam o contrato de trabalho em acordo com os empregados, voltou a ser implementada no final de maio deste ano. “Essa permissão, que foi muito criticada pelas centrais sindicais, resultou na preservação de 9 milhões de empregos no ano passado, dos quais 3 milhões ainda estavam com estabilidade durante o período do acordo”, complementa. A medida é eficaz, pois, segundo o professor, preserva o emprego, o capital humano da empresa, e preserva a renda dos trabalhadores mais necessitados. 

Ainda sobre medidas do governo, chama atenção para a interrupção e diminuição do valor transferido do auxílio emergencial. “Essa transferência ajuda famílias vulneráveis e vira imediatamente consumo, ou seja, roda a economia. A interrupção e diminuição do valor do auxílio é um erro injustificável e imperdoável”, ressalta. Ele ainda reforça a importância da vacinação e investimento em infraestrutura de ocupação para uma recuperação mais rápida do mercado de trabalho. 


Jornal da USP no Ar 
Jornal da USP no Ar é uma parceria da Rádio USP com a Escola Politécnica, a Faculdade de Medicina e o Instituto de Estudos Avançados. No ar, pela Rede USP de Rádio, de segunda a sexta-feira: 1ª edição das 7h30 às 9h, com apresentação de Roxane Ré, e demais edições às 10h45, 14h, 15h e às 16h45. Em Ribeirão Preto, a edição regional vai ao ar das 12 às 12h30, com apresentação de Mel Vieira e Ferraz Junior. Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93.7, em Ribeirão Preto FM 107.9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo do Jornal da USP no celular. 

RESENHA: O CIDADÃO DE PAPEL – GILBERTO DIMENSTEIN

O Cidadão de Papel: A infância, a adolescência e os Direitos Humanos no Brasil, do jornalista Gilberto Dimenstein foi ganhador do Prêmio Jabuti 1994Melhor livro de Não-Ficção, publicado pela Editora Ática. O livro surgiu da iniciativa do autor para abordar em sala de aula e discutir assuntos de uma linguagem de fácil entendimento para os jovens sobre assuntos sérios.
Quando li O Cidadão de Papel eu era adolescente. Recentemente encontrei o livro na biblioteca do meu pai e decidi relê-lo. Apesar de algumas informações estarem desatualizadas, afinal, a minha edição é a de 2002, e muitas coisas mudam em 12 anos, as discussões e reflexões permanecem atuais.

Dividido em 10 capítulos, o primeiro se chama “As engrenagens do colapso social”. Gilberto Dimenstein explica que o livro surgiu na década de 90, quando ministrou uma palestra para adolescentes e percebeu a preocupação dos jovens com a violência nas grandes cidades. “Vi que a falta de informação e de reflexão poderia levá-los a uma postura perigosa: o uso de mais violência”, alerta o jornalista. Então, o autor se propôs a abordar alguns dos problemas da sociedade, como as crianças de rua, a violência e a pobreza. Por que Cidadão de Papel? Segundo Dimenstein, porque a cidadania está garantida nos papeis, mas não existe de verdade.
Embora a linguagem simplificada possa incomodar muitos especialistas da área, Gilberto Dimenstein simplificou o texto para que o público-alvo, formado por crianças e adolescentes, possam absorver melhor a informação e entender termos que estão presentes nos jornais diários, mas nem sempre são de seus conhecimentos. Dimenstein comenta que a situação da infância é um reflexo de desenvolvimento econômico, político e social do Brasil, desde a violência até o desemprego.

No capítulo 2, “Cidadania”, Dimenstein explica que os meninos de rua são um dos sintomas da crise social, surgidos por causa da pobreza e falta de educação dos pais, levando os filhos a entrarem nesse ciclo, incapazes de progredir. Apesar dos direitos da criança, o autor critica a situação do país e lembra que nem mesmo os bebês estão protegidos nas famílias desestruturadas, onde o índice de violência doméstica são maiores.
violência é abordada no capítulo 3 do livro. Segundo o autor, muitas crianças fogem de casa pelo medo da agressão dos próprios pais, levando-as a consumirem drogas e álcool, prostituição, violentarem e serem violentados, mantendo o ciclo vicioso vivo.

O capítulo 4 fala sobre a renda. Neste caso, o meu exemplar traz várias informações desatualizadas, que na época podiam ser usadas como referencial, agora nem tanto. Porém, algumas informações e conceituações facilitam a compreensão dos jovens, como PIB (Produto Interno Bruto), a distribuição desigual de renda e o PIB per capita. Muitas vezes, como bem lembra Gilberto Dimenstein, os números impressionam, mas são só números perto da realidade da pobreza de um lado e riqueza do outro, em que uns têm além do necessário e outros não têm o suficiente para sobreviver com dignidade.
O quinto capítulo aborda a mortalidade infantil batendo novamente na tecla da ilusão dos números. O jornalista afirma que entre as estatísticas para analisar o desenvolvimento econômico e social de um país, a taxa de mortalidade infantil é importante. Apesar de muitas informações estarem defasadas, a mortalidade infantil ainda é uma realidade no país. Dimenstein aborda o contraste entre primeiro e terceiro mundo quando se trata do desenvolvimento das crianças e da mortalidade infantil.

população é comentada no sexto capítulo do livro. Nesta parte, é comentada a importância do nível de instrução das mães sobre a necessidade de higiene e saneamento básico, as campanhas educativas e distribuição de anticoncepcionais e orientações sobre doenças sexualmente transmissíveis, a gravidez na adolescência e a taxa de fecundidade de acordo com as condições financeiras dos pais.

desemprego é tema do capítulo 7, em que Dimenstein aborda a crise econômica no Brasil marcada pela estagflação (recessão e preços altos), o círculo vicioso da criança que sai da escola ou não estuda para trabalhar e continua ganhando pouco, os efeitos políticos sentidos no país e o efeito nas universidades, em que os estudantes viveram períodos de insegurança.
O capítulo 8 discute a urbanização no Brasil. A ida de populações rurais para as grandes cidades, surgimento das favelas e o aumento do número de moradores de rua. Já o capítulo 9 aborda a desnutrição. O jornalista descreve as consequências da desnutrição infantil no desenvolvimento físico e mental do ser humano, além de atingir também os adultos e aborda de forma breve a questão dos transgênicos (organismos geneticamente alterados) e discussões que estavam em alta na época.

Diante de todos os problemas mencionados nos outros capítulos, o meio ambiente é tão importante quanto e é destaque do capítulo 10. Gilberto Dimenstein afirma a importância do saneamento básico na prevenção de doenças, a questão da reciclagem do lixo, a poluição ambiental e o tratamento da água.

A última parte do livro, o capítulo 10, traz informações e propõe reflexões sobre a educação. É comentada a necessidade de investir na educação desde o ensino fundamental para que as pessoas saibam seus direitos e obrigações e possam ter melhor qualidade de vida, a questão da produtividade, a evasão e desigualdade social no nível de ensino, o analfabetismo e a exclusão digital.

Dimenstein conclui o livro abordando a importância de entender as engrenagens da crise social brasileira e da fragilidade da cidadania, a importância da democracia e dando exemplo de um projeto que ajuda a tirar as crianças da rua e oferece aulas de dança, escultura, informática e tem livros.

 

Como mencionado ao longo deste texto, algumas das informações no meu exemplar estavam desatualizadas, no entanto acredito que devem ter saído edições mais atuais de O Cidadão de Papel. Se por um lado algumas estatísticas estão antigas, por outro os debates e reflexões ainda são necessários se fazerem presentes na vida dos jovens alunos do Brasil. Para quem se interessou pelo tema do livro, acredito que alguns assuntos são mais complexos e merecem uma leitura mais aprofundada. Para o público-alvo, as informações estão fáceis de serem entendidas e Gilberto Dimenstein cumpriu com o seu papel como jornalista na tradução do conteúdo, tornando-o acessível para os adolescentes.

 

Cada um dos tópicos comentados no livro podem ser entendidos melhores através das recomendações de leitura e de filmes deixadas pelo próprio autor ao longo da obra. O Cidadão de Papel pode ser o pontapé para trabalhar o assunto em sala de aula, no entanto por abordar vários assuntos e cada um deles serem complexos para serem todos debatidos em um só livro, cabe aos jovens e educadores continuaram estudando. Outros pontos interessantes disponibilizados pelo autor são os roteiros de discussão ao final de cada capítulo, as fotografias e as reportagens

 

Sobre o autor – Gilberto Dimenstein é jornalista, idealizador do site Catraca Livre. Entre os seus livros publicados estão: A guerra dos meninos, A democracia em pedaços, O aprendiz do futuro e As aventuras da reportagem


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